ANO 2015

Morre Nico Fagundes. É autor "O canto Alegretense"

O Centro Farroupilha de Tradições Gaúchas se solidarizar aos familiares e amigos do Antônio Augusto Fagundes, Nico. Nos sentimos incapazes de encontrar palavras de consolo para tamanha dor, desejamos expressar nosso profundo pesar pela morte do Nico.
Nosso reconhecimento a trajetória desse grande alegretense que muito contribuiu para a história, memória e folclore de nosso município e do Rio Grande do Sul.

Os significados por trás do "Canto Alegretense"

Todo gaúcho que se preza sabe cantar pelo menos trechos do célebre Canto Alegretense - mas nem todo rio-grandense sabe com exatidão a que se referem algumas das expressões incluídas na letra ou qual a origem de alguns dos seus versos já clássicos.
Principalmente para a população urbana, muitas vezes escapa o significado de passagens como "flor de tuna, camoatim de mel campeiro" ou o que são as "quebradas do Inhanduí". Com auxílio de especialistas em fauna e flora do Estado e da família Fagundes, ZH montou um apanhado do que querem dizer algumas das palavras e expressões que ajudaram a transformar o Canto Alegretense em uma espécie de hino sentimental do Rio Grande.
Além disso, Nico e outros integrantes do grupo familiar ajudaram a contextualizar algumas das frases que acompanham uma das melodias mais entoadas por gaúchos e gaúchas de todas as querências. Confira, abaixo, alguns detalhes por trás da composição de Nico Fagundes.

Canto Alegretense

Não me perguntes onde fica o Alegrete Segue o rumo do seu próprio coração(Não me perguntes onde fica o Alegrete/ Segue o rumo do teu próprio coração - Resposta dada por Nico Fagundes a um colega advogado que queria saber onde ficava o município de origem dos Fagundes. - Depois disso, a letra saiu em quatro minutos e meio - conta Nico.)

Cruzarás pela estrada algum ginete(Ginete - Bom cavaleiro, firme nas rédeas)

E ouvirás toque de gaita e violão

Pra quem chega de Rosário ao fim da tarde

Ou quem vem de Uruguaiana de manhã

Tem o sol como uma brasa que ainda arde

Mergulhado no Rio Ibirapuitã (Rio Ibirapuitã - Rio que tem grande parte de sua extensão em Alegrete, cidade cortada por ele)

Ouve o canto gauchesco e brasileiro (Ouve o canto gauchesco e brasileiro - A referência ao Brasil teve a função de situar o regionalismo gaúcho no contexto nacional, e não como algo isolado do resto do país)

Desta terra que eu amei desde guri

Flor de tuna(Flor de tuna - Flor de aroma suave que brota em uma planta de cacto comum na Fronteira, a tuna),

camoatim de mel campeiro(Camoatim de mel campeiro - O camoatim é um pequeno inseto, da família das vespas, que produz um mel silvestre, ou campeiro)

Pedra moura(Pedra moura - Pedra escura)

das quebradas do Inhanduí(Quebradas do Inhanduí - Na área do Inhanduí, rio da região que também dá nome ao subdistrito do Alegrete que é local de origem da família Fagundes)

E na hora derradeira que eu mereça

Ver o sol alegretense entardecer

Como os potros(Potro - Cavalo novo, ou ainda não inteiramente domado)

vou virar minha cabeça

Para os pagos(Pagos - A região onde se nasceu, terra de origem)

no momento de morrer

E nos olhos vou levar o encantamento

Desta terra que eu amei com devoção

Cada verso que eu componho é um pagamento

De uma dívida de amor e gratidão

Fontes: Ernesto Fagundes, Nico Fagundes, Fundação Zoobotãnica do RS, prefeitura de Alegrete e dicionários Houaiss e Aurélio

Morre Nico Fagundes. É autor "O canto Alegretense"

Fonte da noticia Radia Gaucha
Morreu, aos 80 anos, António Augusto Fagundes, um dos maiores tradicionalistas do Rio Grande do Sul. Nico estava internado no hospital Ernesto Dorneles há cerca de um mês, por conta de uma infecção respiratória.


Filho de Euclides Fagundes e Florentina da Silva Fagundes, Nico Fagundes marcou sua trajetória aqui no RS como apresentador do programa Galpão Criolo da RBSTV. Nico nasceu em Inhanduí, no interior do município de Alegrete, local de tradicionais famílias campeiras da fronteira.
Foi escoteiro e fundador, sub-chefe e chefe da Tropa "Anhangüera". Na época de estudante destacou-se como poeta e declamador. Em 1960, ingressou na Faculdade de Direito de Porto Alegre. No mesmo ano, casou-se com Marlene Nahas. Trajetória no Galpão Criolo:
A trajetória do Galpão Crioulo começou em Maio de 1982. Desde então, passaram-se 30 anos sob a liderança de Nico, e foram ao ar mais de 1.500 edições. Com o cenário totalmente reformulado se despediu em 2012 na festa dos 30 anos, em um projeto concebido pelo arquiteto Bernardo Zortea. Aproximadamente 7 mil pessoas presenciaram as atrações, com convidados que mostraram o melhor da história do Galpão Crioulo. Nico Fagundes sempre deu a devida importância à dupla ligação da cultura gaúcha com o outro Brasil e com os países do Prata. Tornou-se, assim, com o tempo e apoiado em uma biblioteca preciosa, um estudioso sério, respeitado e aclamado no Rio Grande do Sul, no Uruguai e na Argentina, conferencista bilíngüe e autor de inúmeras obras. Também foi poeta.

Carreira:

Nico começou a carreira jornalística em 1950, aos 16 anos, no jornal "A Gazeta de Alegrete", o mais antigo do Rio Grande do Sul, nas funções de cronista e repórter. No mesmo período começou a atuar na Rádio ZYE9 --- Rádio Alegrete, apresentando programas humorísticos e gauchescos. Foi secretário dos Cadernos do Extremo Sul, publicações que sob a direção de Helio Ricciardi, lançou diversos poetas da cidade de Alegrete.
Em 1954, mudou-se para Porto Alegre, ingressando em seguida, por intermédio do poeta Lauro Rodrigues, no "35", Centro de Tradições Gaúchas, o CTG. No mesmo ano, tornou-se redator do Jornal "A Hora", no qual atuou durante muitos anos com a página "Regionalismo e Tradição". Em 1955, passou a fazer parte do Instituto de Tradições e Folclore da Divisão de Cultura do Estado. Durante oito anos fez formação em folclorismo, especializando-se em Cultura Afro-gaúcha.
Tornou-se professor de danças folclóricas e literatura gauchesca no Instituto de Tradições e Folclore. Viajou para a Europa como sapateador do Grupo Gaudérios, morando em Paris por quatro meses. Iniciou pesquisas de indumentária gaúcha, tornando-se a maior autoridade sobre o assunto no Rio Grande do Sul.
Foi contratado pela TV Piratini para atuar como ator. Foi um dos fundadores do Conjunto de Folclore Internacional, batizado de "Os Gaúchos", e do qual foi diretor durante 15 anos. Fundou, no Instituto de Tradições e Folclore, a Escola Gaúcha de Folclore, de nível superior, que funcionou durante seis anos. Atuou como titular nas cadeiras de danças folclóricas e indumentária gaúcha. Foi diretor da escola durante seis anos.
No início da década de 1960, conquistou o primeiro lugar em concurso literário promovido pelo Instituto Estadual do Livro, com a obra "Destino de Tal". Pouco depois passou a trabalhar na TV Tupi. Viajou para Espanha e França, com o conjunto de folclore internacional "Os Gaúchos", tendo recebido diversos prêmios em festivais de dança folclórica. Escreveu o roteiro do filme "Para Pedro". Atuou como ator, assistente de direção e consultor de costumes do filme "Ana Terra".
Escreveu o roteiro, dirigiu e trabalhou como ator no filme "Negrinho do Pastoreio", com Grande Otelo. Atuou ainda como ator no filme "O Grande Rodeio", o qual também produziu e dirigiu. Em 1976, ingressou na Fundação Instituto Gaúcho de Tradição e Folclore. Em 1982, passou a apresentar o programa "Galpão Crioulo", na RBS TV. Em 1984, passou a apresentar o mesmo programa na Rádio Gaúcha. No mesmo ano voltou a atuar no jornalismo, escrevendo no Zero Hora. Em 1998, comandou em Paris, a apresentação do Grupo "Os Gaúchos". No mesmo ano escreveu a peça teatral "A Proclamação da República Rio-grandense".
Ao longo de sua carreira recebeu diversos prêmios, entre os quais, Prêmio Copa Festivales de España, Medalha de Bronze da Televisão Mundial pelo programa "Galpão Crioulo" e o Troféu Guri da Rádio Gaúcha. Recebeu inúmeros prêmios em poesia, canções gauchescas, declamações, danças folclóricas e teses. É autor de mais de 100 músicas, entre as quais, "O canto Alegretense".

A mudança para Porto Alegre:

Em 1954, Nico se mudou para Porto Alegre e é como poeta que é apresentado ao 35 CTG, por Lauro Rodrigues. E nunca deixou de fazer verso. Tornou-se amigo e companheiro de Waldomiro Souza, Horácio Paz, João Palma da Silva, Amandio Bicca, Niterói Ribeiro, Luiz Menezes, José Hilário Retamozo, Hugo Ramirez, João da Cunha Vargas, ou seja, a fina flor da poesia gauchesca da época, que freqüentava o rodeio do 35 CTG, às quartas de noite e aos sábados de tarde, na Avenida Borges de Medeiros, no quinto andar da FARSUL.
Conhece, então, e torna-se amigo de Jayme Caetano Braun, cujo ingresso no 35 CTG veio a apadrinhar.
Pelas páginas do Jornal A Hora, lançou Jayme Caetano Braun e dois moços que estavam aparecendo com muita força: Aparício Silva Rillo e José Hilário Retamozo. O prestígio que emprestava à obra de outros poetas não fez com que descurasse de sua própria poesia.
Ganhou prêmios e concursos em Vacaria, Alegrete e em Porto Alegre.
Seu primeiro livro de versos chama-se Com a Lua na Garupa e o segundo Ainda com a Lua na Garupa. O terceiro tem o nome de Canto Alegretense, nome tirado da canção famosa cujos versos escreveu. Aliás, neste livro aparecem muitas letras das suas canções mais famosas dentre as 370 gravadas e regravadas por vários intérpretes e parceiros.
Filmes que Nico participou:
O Tempo e o Vento - 1985
Lua de Outubro - 2001
A Cobra de Fogo - 2000
O Negrinho do Pastoreio - 1973
Ana Terra - 1971

Fonte da noticia Radia Gaucha

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